FAMÍLIA? MEU BEM, MEU MAL!

Sempre admirei José Ângelo Gaiarsa.

Lembram dele?

Foi um importante psiquiatra brasileiro.

Tinha Gaiarsa na estante do meu pai. Por isso, meu acesso precoce à obra dele.

Só depois fui vê-lo fazendo programas de televisão.

Sexo, família. Tanta coisa.

FAMÍLIA? MEU BEM, MEU MAL!

Em meados dos anos 1980, eu estava na redação de A União quando recebi um telefonema de uma amiga.

Psicóloga, ela me disse que Gaiarsa estava em João Pessoa.

Fiquei surpreso.

É que tinha amigos aqui (inclusive a minha amiga) e passaria alguns dias descansando.

O jornal se interessa por ele? – foi a pergunta que ouvi.

E mais: posso levá-lo aí na redação?

E eu, encantado: claro!

Traga que faremos uma entrevista bacana para o Jornal de Domingo.

No dia seguinte, lá estava o psiquiatra acomodado na sala da editoria.

Figura rara.

Brilhante.

Excepcional.

Nosso editor, Agnaldo Almeida, abriu a entrevista.

Não lembro do conteúdo da primeira pergunta.

Mas lembro muito bem do tema: foi sobre família.

E nunca deletei o início da resposta certeira de Gaiarsa:

FAMÍLIA?

MEU BEM, MEU MAL!

A FAMÍLIA É INEVITÁVEL!

José Ângelo Gaiarsa morreu em 2010.

Tinha 90 anos.