Centenário revive arte de Mário Lago

‘Meus Tempos de Moleque’ Obra inédita e não concluída de Mário Lago traz nove capítulos com narrativas de sua trajetória.

Rio de Janeiro. Segunda-feira de carnaval do ano de 1919. O pequeno Mário, há um ano estudando piano com a então esposa de Heitor Villa-Lobos, Dona Lucila, reconhece debaixo de uma chuva de confetes o maestro e a professora fantasiados, aos pulos, diante de um bloco.

Atrás deles vinha Arthur Rubenstein, grande ídolo do jovem que, seis anos mais tarde, abandonaria a futura carreira de concertino por não se considerar digno de envergar uma casaca.

O polonês aparecia vestido de baiana, remexendo as cadeiras na tentativa de uma dança desengonçada.

É possível que a imagem do músico, abandonando a sisudez que o consagrou como um dos maiores intérpretes de Chopin para cair na folia, nunca tenha abandonado a memória infantil de Mário Lago (1911-2002).

Hoje, dia do seu centenário de nascimento, uma frase de Rubenstein que certamente ecoou nos ouvidos de Lago resume perfeitamente a trajetória de um dos artistas mais plurais que o Brasil conheceu: "Vão para a rua, divirtam-se! Se vocês não viverem sua própria vida, vão interpretar a vida de quem?".

Mário Lago foi às ruas com suas marchinhas: "Se, com seu cancioneiro popular, Noel Rosa era o poeta da Vila, Mário Lago era o poeta do Brasil", arrisca o pesquisador Wills Leal.

O carioca também se divertiu às pampas, interpretando a própria vida e a de seus personagens: "As facetas teatral e televisiva dele são extraordinárias. E, mesmo em seu auge, ele nunca se esqueceu do papel social do ator, sendo um símbolo de resistência ainda reverenciado", lembra o professor de teatro José Tonezzi.

E mais: "Talvez pela grande ressonância do ator Mário Lago, sua obra literária, citada por nomes como Alfredo Bosi, não tenha repercutido tanto", revela o crítico Hildeberto Barbosa Filho.

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