O governo da Turquia confirmou ontem que as 35 pessoas mortas em um ataque de sua Força Aérea no Iraque eram civis que trabalhavam como contrabandistas, e que os pilotos os confundiram com guerrilheiros curdos do PKK (Partido de Trabalhadores do Curdistão).
"De acordo com as informações recebidas pelo escritório do governador de Sirnak e outros representantes do Estado, [as vítimas] estavam praticando o contrabando de tabaco", admitiu Hüseyin Çelik, vice-presidente do partido governamental AKP em um discurso transmitido pela TV.
Çelik explicou que a Força Aérea tinha bombardeado contrabandistas em um "acidente operacional", acreditando que eles eram guerrilheiros do PKK. De acordo com a agência de notícias privada turca Dogan, alguns aviões não tripulados descobriram o grupo de pessoas na região de Uludere entre o fim da noite passada e o início da madrugada de ontem, e o Exército da Turquia decidiu atacá-los nas primeiras horas de ontem com caças-bombardeiros F16.
As autoridades locais já admitiam no início do dia que as vítimas contrabandeavam açúcar e combustível para a Turquia e podem ter sido confundidas por rebeldes do PKK. Os serviços de segurança locais confirmaram o bombardeio. As autoridades turcas afirmaram que o incidente ocorreu no lado iraquiano da fronteira.
O Exército turco costuma bombardear redutos de rebeldes curdos na região, como parte do confronto com o grupo armado PKK, e vem intensificando as operações na área desde agosto.
Os insurgentes do PKK utilizam suas bases no norte do Iraque para executar ataques contra alvos no território da Turquia.
O governo turco executou uma operação ao norte do Iraque em outubro, depois que o PKK matou 24 soldados na localidade de Cukurca, no ataque mais violento contra o Exército do país desde 1993. O PKK, considerado terrorista por vários países, iniciou uma luta armada em 1984. O conflito já provocou 45 mil mortes.




