Ácido fólico contra má formação de bebês

Pesquisa revela que as pessoenses engravidam sem planejamento e não previnem anencefalia e espinha bífida.

As pessoenses não planejam a gestação e, como consequência disso, não se previnem contra os defeitos decorrentes da má formação fetal. Foi o que apontou pesquisa realizada em maio deste ano com 494 gestantes, pacientes de duas maternidades públicas (Cândida Vargas e Frei Damião) e de uma clínica privada de João Pessoa.

Segundo o estudo coordenado pelo professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e presidente da Comissão de Medicina Fetal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), Eduardo Borges da Fonseca, 58,5% das entrevistadas engravidaram sem planejar.

Do percentual restante (41,5%), apenas 13,8% das mulheres iniciaram a prevenção com ácido fólico antes de engravidarem – sendo que só 3,8% delas fizeram o tratamento na quantidade ideal (400 microgramas dia).

O ácido fólico, conforme o médico, previne de 72 a 85% a ocorrência de Defeitos de Fechamento do Tubo Neural (má formação fetal) – que podem acarretar anencefalia (quando o bebê não tem cérebro) e a espinha bífida (quando a coluna vertebral não se fecha por completo e importantes células entram em contato com o líquido amniótico – sendo lesadas por ele).

Segundo Eduardo Borges, o uso do ácido fólico deve ser iniciado ao menos 30 dias antes do início da gestação, continuando até o terceiro mês. No entanto, “a maioria das mulheres do Brasil engravidam sem planejar e não fazem a prevenção preconcepção”.

Foi com a intenção de conscientizar e esclarecer essas mulheres que a Febrasgo lançou, na última quinta-feira, uma cartilha em linguagem simples explicando todos os fatores de prevenção e de risco envolvidos nos Defeitos de Fechamento do Tubo Neural (DTN) – além de um Guia Prático de Conduta para a classe médica.

Ambos foram apresentados oficialmente durante congresso de Ginecologia e Obstetrícia que aconteceu em São Paulo e serviram de subsídio para o lançamento de uma campanha nacional para prevenção dos DTN. Os materiais também forma disponibilizados no site da Febrasgo (http://www.febrasgo.org.br) e estão acessíveis para a consulta e reprodução.

A ideia, conforme o médico Eduardo Borges, é que as secretarias estaduais de saúde possam fazer uso do material em campanhas educativas locais. Um total de 30 mil guias e três milhões de cartilhas serão distribuídos para a população de todo o país.