Ela se identicava como ‘estrela’, ele como ‘romântico’. Em um mundo onde aplicativos para procurar uma alma gêmea ainda não existiam, eles se encontraram. Foi em uma sala de bate-papo há 16 anos. Conversas, revelações e afinidades descobertas. Depois de alguns meses, os apelidos transformaram-se em nomes, telefones e um convite para o cinema. O virtual deu lugar ao real e a uma história de amor que poderia ser retratada em uma daquelas comédias hollywoodianas.
Hoje casados e pais de um adolescente, a arquivista Laize Mendes, de 38 anos, e o funcionário público Luciano Mendes, de 42 anos, riem toda vez que contam a forma que se conheceram. “Sempre tem essa pergunta, as pessoas vivem querendo saber como tudo começou”, menciona Laize. “Mas eu fico com vergonha de dizer que foi em um bate-papo e digo simplesmente que foi na internet”, completa às gargalhadas.
Apesar de hoje ser apaixonada pelo marido, ela revela que não acreditava que o relacionamento pudesse dar certo. “Depois do bate-papo, a gente passou a conversar todos os dias na mesma hora e decidimos nos encontrar. Foi em um shopping nos Bancários. Ele me chamou para assistir a um filme de terror, acho que era do Chucky, o boneco assassino, e pensei ‘que estranho, não vai dar certo’”, lembra.
Embora a impressão inicial não tenha sido a melhor, Laize decidiu dar uma chance a Luciano e eles começaram a namorar pouco tempo mais tarde. “Eu acabei engravidando e quando isso aconteceu, a gente poderia ter desistido de tudo mas pensou com calma e resolveu ver no que ia dar. Falamos com as famílias e casamos, deixando bem claro que se não desse certo cada um ia seguir a sua vida”, explica.
Os anos se passaram e a aposta se mostrou certeira. Segundo ela, o tempo felizmente só uniu o casal, que se aproxima cada vez mais como se estivesse no início de tudo. “Relacionamento requer muita paciência, entender o outro, ver como ele é”, afirma Laize, complementando que não está preocupada com o Dia dos Namorados porque já faz questão de celebrar o amor ao lado do marido durante todos os outros dias do ano.
Pelo Orkut
Assim como o casal Laize e Luciano, a auxiliar de escritório Faymara Lilian, de 21 anos, e o analista de departamento pessoal Rhuann Nogueira, de 24 anos, também tiveram uma força da web para se conhecer. Só que no caso deles a ponte foi uma velha conhecida dos brasileiros, a rede social Orkut. Na época, ela tinha 14 anos e nem imaginava que o futuro marido estaria a alguns cliques de distância.

“Foi em 2008. Eu fui procurar alguns amigos no Orkut de uma amiga e sem querer entrei no perfil dele, olhei as fotos e tal. Aí, um dia depois ele me adicionou, já que a gente via quem tinha visitado nossa página. Eu perguntei pra minha amiga quem era e aceitei”, recorda Faymara, acrescentando que o passo seguinte foi trocar e-mails para conversar pelo MSN e marcar um encontro, que aconteceu em outubro, dois meses após o primeiro contato.
Entre indas, vindas e incertezas, o pedido de namoro ocorreu em uma data que não poderia ter sido mais especial: dia 1º de janeiro de 2009. “Depois de 2 anos de namoro, quase mato meu pai do coração porque engravidei de Fernanda, minha primeira filha”, relata Faymara, que recentemente deu luz à segunda filha do casal, a pequena Clarice, de três meses.
De acordo com ela, o mais bonito na relação dos dois é que um conseguiu encontrar no outro o conforto e o amor que procurava – isso graças à internet. "É engraçado quando eu penso que quando eu o conheci ele nao era nada e hoje é tudo, meu companheiro, minha família. É a pessoa que eu mais aperreio, mas que eu sei que posso contar, saber? Ele sempre está do meu lado”, declara-se.




