Quatro são presos por queimar criança viva

Menina foi queimada viva em 2010 pela mãe adotiva; irmã da garota que assistiu o assassinato fugiu de casa e foi encontrada pela polícia.

A Polícia Civil de Campina Grande prendeu, no final de semana, quatro pessoas acusadas de matar uma criança no ano de 2010 e que, na época, tinha 10 anos de idade. Os acusados são pessoas que criavam Midiã Emanuele Nunes de Andrade, em uma casa no bairro São José. A vítima foi queimada viva dentro de um banheiro do imóvel. Delegados contaram que grupo agiu de forma fria, calculista e premeditada.

Foram presas Alzicleide Diniz da Silva, 46 anos, Maria da Guia, 53 anos, e Bruna Valeska, 45 anos, que também se apresenta com mais dois nomes, Valéria Cristina e Maria Cristina. Além delas foi preso Wedson Gomes de Andrade, 23 anos. Apresentação dos acusados que estavam com a prisão preventiva decretada aconteceu ontem na Central de Polícia.

De acordo com a polícia, Midiã e a irmã foram doadas pela mãe natural a Bruna Valeska e eram tratadas com violência pelos acusados que moravam na mesma residência. Conforme o delegado regional Marcos Paulo, em depoimento, os envolvidos relataram que mataram a menina porque ela dava muito trabalho.

“Durante os depoimentos ficou claro que quem planejou tudo foi Bruna, que tinha a guarda de fato e não de direito das irmãs. Ela recebeu Midiã e a irmã para criar, mas legalmente não possuía a guarda delas,” disse.

O delegado contou que Midiã foi queimada viva e que chegaram a cortar o cabelo dela antes de cometer o crime. “Com álcool eles colocaram fogo na menina que estava de castigo dentro de um banheiro e depois levaram para dentro da casa do cachorro, onde ficou durante o dia seguinte, e, à noite, colocaram fogo novamente no cadáver e resolveram jogá-lo nas proximidades do 2º Batalhão de Polícia, às margens da linha do trem,” contou Marcos Paulo.

A delegada da infância e juventude Nercília Maria revelou como a polícia conseguiu elucidar o crime. “O corpo foi enterrado sem identificação, mas nós guardamos material genético da vítima. A mãe biológica da menina que se chama Carla Patrícia notou que a filha não estava mais andando na companhia de Bruna e nem da irmã mais nova. A partir disso, começamos a montar um quebra cabeça e chegamos a realizar um exame que confirmou que o corpo se tratava da filha de Carla doada a Bruna anos antes”, frisou.

Nercília ainda revelou que o crime foi assistido pela irmã mais nova da vítima. “A irmã mais nova da vítima assistiu o crime e foi obrigada a ficar calada. A criança só contou o que viu depois de ser acompanhada por psicólogos que ajudaram ela a dizer o que sabia, então ficou ainda mais claro o envolvimento dos quatro que foram presos”, disse. Também conforme a delegada, os acusados mudavam de endereço com frequência, com o objetivo de dificultar as investigações.

A delegada de repressão aos crimes contra infância e juventude Alba Tânia contou que a irmã mais nova de Midiã fugiu de casa e foi localizada em um abrigo. “A criança viu a irmã sendo morta e também era tratada com violência, então fugiu de casa e nós localizamos em um abrigo”, destacou.

O grupo será indiciado por homicídio duplamente qualificado, cárcere privado e ocultação de cadáver e deverá pegar mais de 30 anos de prisão. Bruna também responderá por falsidade ideológica.

Envolvidos revelam participação

Em conversa com os jornalistas, Bruna Valeska disse que o nome dela é Maria Cristina e que foi incentivada pelos outros acusados.

“Meu nome é mesmo Maria Cristina. Eu joguei o álcool nela e me arrependo do que fiz. Quem me incentivou a fazer tudo foi Alzicleide.

Não sei o que deu em mim na hora, me arrependo e mereço realmente pagar pelo que fiz, mas não toquei fogo na menina, só joguei o álcool, quem fez o resto foi Wedson,” ressaltou.

Alzicleide negou que tenha incentivado alguém a matar Miriã e disse que Bruna chegou a contar pra ela que mataria novamente se fosse preciso. “Eu não incentivei ela a fazer nada. Inclusive ela mesma tocou fogo na menina e disse que mataria novamente, que não se arrependia de nada,” relatou.

Já Maria da Guia revelou que comprou a segunda garrafa de álcool que foi utilizada. “Ela me mandou comprar mais álcool e eu comprei, mas eu não sabia para que era”, disse.

Wedson Gomes contou que não tinha nada contra a menina e que não ateou fogo, mas que comprou o álcool para matá-la. “Não tinha nada contra ela e comprei o álcool porque ela mandou, mas não toquei fogo em Miriã”, disse.