Aqualung volta rejuvenescido aos 40

Álbum ‘Aqualung’, da banda Jethro Tull, é relançado em uma edição comemorativa com fotos, textos  e disco extra.

O Jethro Tull sempre foi uma banda marcada por excentricidades. De efeméride musical, apontada pela crítica inglesa como um dos mentores do rock progressivo, ao de controverso ganhador do Grammy – vencendo em 89 o Metallica como ‘melhor performance vocal ou instrumental de hard rock/metal’ – o grupo liderado por Ian Anderson trilhou uma carreira tão irregular quanto curiosa.

Momentos memoráveis e vácuos criativos se alternaram com a mesma regularidade. Mas há um ponto de convergência no qual todo "roqueiro" (alguém lembra da expressão?) sempre concordou: Aqualung, o 4º álbum da carreira, é um dos clássicos da história do gênero.

Relançado no final do ano passado em edição comemorativa de 40 anos (EMI, R$ 42,00), o disco merece por parte desta e de todas as gerações uma audição renovada.

Graças aos recursos tecnológicos, esses homens maravilhosos e suas remixagens voadoras trouxeram frescor à sonoridade do disco. No caso do Tull, os responsáveis são Steven Wilson, da banda Porcupine Tree, e a turma boa dos estúdios Abbey Road.

Ouvindo hoje a faixa-título, o ouvinte neófito pode acreditar se tratar de uma atual banda de psych-folk ou prog folk. A levada que mistura guitarras com fraseado blue e flautas pontuando harmonias celtas servem de suporte para a saga de um vagabundo sem-teto pelos parques de Londres. Hoje o tema até "cola" como uma metáfora atual de um velho continente que se debate para sair da crise.

No stereo mix da versão 2011, pianos, violas, violinos e percussão ganham em claridade e profundidade, sem ferir a concepção original. A voz e as flautas de Anderson estão lá, ora suaves ora rascantes, e permanecem sendo as inconfundíveis digitais sonoras do Jethro Tull.

Dentre as 11 faixas do disco estão alguns dos cânones do som progressivo, safra "início-dos-anos-70", como as canções ‘Cross-eyed Mary’ (que já ganhou até cover do Iron Maiden), ‘My God’, ‘Mother goose’ e ‘Locomotive breath’. É para ouvir sem moderação.

Embora por muito tempo associado a uma postura conservadora e elitista, o rock progressivo foi uma salutar e bem vinda reação da cena musical britânica à pasteurização do pop e do glam rock, essencialmente voltados para as paradas de sucesso. Aqualung é um dos marcos da música feita por esses estranhos espécimes que queriam mexer com os quadris e mais ainda com a cabeça.

A edição de aniversário – que inclui ótimo folheto com fotos e textos – traz um segundo disco de extras com versões inéditas de algumas faixas de Aqualung e sobras das sessões de gravação nunca antes lançadas. Há 40 anos, um item básico para discotecas. (Especial para o JP)