Pedro Bial, coisa de veado e o detector de mentiras para entrevistar o ex-presidente Lula

Pedro Bial, coisa de veado e o detector de mentiras para entrevistar o ex-presidente Lula

Lembro de Pedro Bial muito jovem, atuando como repórter, ainda no Brasil.

Depois, fez carreira como excelente correspondente internacional.

Testemunhou muita coisa importante, inclusive a queda do muro de Berlim.

No final dos anos 1990, creio que em 1998, tive uma grande decepção com o cara que, com seu trabalho, conquistara minha admiração.

No Fantástico, ele e – muito provavelmente – Glória Maria chamaram uma reportagem sobre o balé Kirov, um dos melhores do mundo.

Quando a matéria começou a ser exibida, por um desses erros que ocorrem em programas ao vivo, vazou uma voz masculina dizendo:

“Coisa de veado”.

Ficou claro para o telespectador que era a voz de Bial, mas tentaram dizer que não.

Eu me perguntava: como é que um cara como Pedro Bial diz que balé é coisa de veado? Não combina com a formação dele, não combina com o que ele parece ser.

Confesso que levei anos para voltar a gostar dele.

O tempo passou, e hoje Pedro Bial é um homem de 63 anos.

Nesta quarta-feira (14), no Manhattan Connection, Bial cometeu outra grande besteira.

Ele, que já entrevistou gente desqualificada como Olavo de Carvalho, disse que só entrevistaria o ex-presidente Lula com o auxílio de um polígrafo, um detector de mentiras.

Que grosseria! Que deselegância! Que agressividade! Que comentário desnecessário!

Ora, até Reinaldo Azevedo já entrevistou Lula, duas semanas atrás.

Reinaldo, o cara que inventou o termo petralha e que foi o maior crítico que o PT, Lula e Dilma tiveram na imprensa brasileira.

Vimos os dois – Lula e Reinaldo – numa conversa absolutamente civilizada que se estendeu por quase 90 minutos.

Acho que vou precisar de mais um tempo para me reconciliar com Bial.