Entre 2012 e 2018, uma área de Mata Atlântica equivalente a 274 “campos de futebol” foi devastada em João Pessoa. Cerca de 53,1% de ZPA – Zona de Proteção Ambiental. São, no total, 295 hectares. O número pode ser ainda maior. É que em 2019, a devastação atingiu mais 28 hectares; e, em 2020, 16 hectares.
Os dados foram apresentados pela professora Andréa Leandra Porto Sales, do departamento de Geociências da UFPB, em entrevista à CBN João Pessoa.
Na pesquisa, foram usados dados espaciais e socioambientais utilizados e correlacionados em técnicas de análise espacial para construção de mapas que permitiram delinear a realidade da expansão urbana.
As geoestatísticas foram elaboradas a partir de dados derivados do projeto Global Forest Change, dados do IBGE, do Plano Diretor Municipal e Ministério do Meio Ambiente, em um sistema de informação georreferenciado”, explicaram os pesquisadores Andréa Leandra, Letícia Palazzi Perez, José A. R. da Silveira, em artigo científico publicado recentemente.
De acordo com Andréa Leandra, a destruição é resultado de um processo de urbanização desordenado, com leis ambientais sendo rasgadas e com a exclusão, e não inclusão da natureza no planejamento da cidade. No caso dos anos de 2019 e 2020, não há definição de quanto estava em área de preservação.
“O que se percebe é que, atravessando governos, há um descompasso entre o planejamento e a gestão. Trata-se de uma agenda mercadológica e desrregulacionista, caracterizada pela incompreensão da natureza e seus ciclos, que se apropria dela para levantar financiamentos e “planejar projetos” de interesses especiais e escusos”, afirmaram os pesquisadores. E continuaram:
O urbanismo insustentável, escancarado em mapas, é fruto da pretensa “gestão democrática da cidade”, que cresce e se espraia em função do lucro e dos muros. Com anuência do poder público pelo descumprimento da legislação, seja ela urbana ou ambiental, o crescimento da estrutura urbana do município de João Pessoa avança sobre resquícios importantes de Mata Atlântica”, criticaram.
Ela destacou que “é lenda” a informação de que João Pessoa é a segunda cidade mais verde do mundo. Segundo Andréa Leandra, estamos em um momento importante para discutir isso. “Estamos construindo o Plano Diretor, a principal lei. Se a população não se engajar, somente grupos pequenos e com interesses próprios “definem o que vai acontecer”, afirmou.

Tragédias urbanas e ambientais
A entrevista, na Semana Mundial do Meio Ambiente, também teve a participação do professor de Geografia da UFPB e pesquisador do Observatório das Metrópolis Alexandre Sabino. Ele falou sobre as tragédias urbanas, que estão ligadas às questões ambientais e sociais.
Segundo ele, as mortes provocadas por desmoronamento de terra, enchentes não são meras fatalidades, tem a ver com a negação aos direitos básicos, como moradia digna. “As pessoas são obrigadas a morar em locais de risco, por várias razões”, afirmou.
Ele reclamou da diminuição da participação popular nos conselhos de que debatem as cidades. “Os críticos são retirados”, afirmou. Ele lembrou que incluir as pessoas das comunidades afetadas, ou que vão sofrer intervenção, é fundamental para tornar a implementação de ações e políticas públicas mais eficientes.
Na entrevista, os pesquisadores também falam sobre a construção de espigões e geração de gases de efeito estufa em João Pessoa, que tem como principal vilão os transportes coletivo e individual.
A entrevista completa concedida a Carla Visani e Laerte Cerqueira você ouve abaixo ou no link:



Texto atualizado às 12h40 com informações sobre área de ZPA, 53,1%.





Uau. Que estudo relevante! Parabéns por publicar. Repetimos os mesmos erros das outras cidades e pagaremos por isso em forma de custos emergenciais com as tragédias das chuvas, por exemplo, que a manutenção das matas poderiam prevenir. O não planejamento urbano é uma estupidez que interessa ao lucro imediato de poucos, em detrimento da população que no futuro tem que arcar com os custos das tragédias.
Estudo pertinente e necessário, que mostra uma realidade triste da nossa região. Se nada mudar, em poucos anos, João Pessoa estará com acontecimentos similares ao de Recife.
Os anos se passam e o descaso com a Mata Atlântica continua. Até quando o Poder Público irá fazer vista grossa pra um problema que afeta a todos? É preciso que a gente considere e leve a sério as demandas ambientais, que haja políticas públicas efetivas para parar o desmatamento de áreas que são essenciais para o bom funcionamento da cidade.
Parabéns aos professores pelo estudo e pela entrevista. Com isso, podemos nos informar e nos conscientizar ainda mais, para que assim estejamos alertas para cobrar medidas de proteção e preservação da Mata Atlântica aos órgãos competentes.
…NOVIDADE!
“SABEMOS” quem $ÃO O$ RESPONSÁVEIS(CR*****$*$) e “$EU$” BENEFICI@RIO$)…
Não só João Pessoa, mas todo Estado da PARAÍBA, estão “entregues” a B@****@**M IN$*******@**$@D@.😡
Oi, tenho uma opinião sobre esse tipo de pesquisa. Se utilizam de dados estatísticos e esses podem ser direcionados para qualquer lado e posição.
Quando falam em população que desmata e avança em áreas verdes estão constatando algo que cultural de nosso povo. A cultura indígena tão defendida em fóruns mundiais faz exatamente isso. Necessita de grande áreas para viver, devastando a mata e o solo até o momento em que é necessário mudar para outra área não devastada.
Acaba com os recursos e segue adiante necessitando de grandes áreas para viver.
Em outras culturas encontramos cidades com mais de mil anos nas quais os territórios são estáveis por mais de quinhentos anos. Nem nestas cidades a verticalização ocorre com muita intensidade.
Esses tipos de “cientistas” consideram o planeta como um ecossistema “perfeito” e os seres humanos como “gafanhotos intergaláticos”. Esse tipo de discurso já saiu de moda faz muito tempo, assim como a forma de governo mimética.
Publicar esse tipo de pesquisa se tornou muito fácil e não gera retorno algum, a não ser ao currículo do “pesquisador”.
Temos uma “produção científica” enorme nesse país, no entanto, isso pouco gera em soluções e royalties para o investimento que é feito com nossos impostos.
Só geram esses “discursos” e alimentam a vaidade desses ditos “cientistas”.
Está na hora de também mudarmos isso, nas urnas!
Infelismente o capitalismo como sempre falando cada vez mais alto, diversas áreas destruídas como nunca antes, uma área que recentemente vi e me surpreendi foi próximo ao Cruzeiro de barra de gramame, (litoral sul) infelismente alguns ganham muito dinheiro e a sociedade como todo que paga as consequências ambientais.
Geraldo Pagliarini, você calado é um poeta. Um texto enfadonho, prolixo e repleto de falácias.
Vá estudar, intelectual da Fofocas!