Rombo de R$ 9,5 bilhões ameaça aposentadorias no Estado

Falidos, institutos de previdência municipais não terão como garantir benefício de trabalhadores que pagam contribuição. Conclusão foi apresentada pelo TCE.

Os servidores municipais de 71 municípios paraibanos estão trabalhando sem a certeza de que poderão se aposentar no futuro. Esta foi a conclusão apresentada pelo conselheiro corregedor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Fernando Catão, na sessão de ontem. Junta, a dívida acumulada de 66 institutos de previdência municipais paraibanos supera a casa dos R$ 9,5 bilhões. Só em João Pessoa, o negativo soma R$ 6,2 bilhões.

O quadro descrito é mais dramático quando se sabe que apenas cinco municípios paraibanos possuem previdências superavitárias. São os casos de Água Branca, Algodão de Jandaíra, Bonito de Santa Fé, Lagoa Seca e Poço de José de Moura. Os municípios deficitários deverão ser alvo de uma auditoria especial que será feita em parceria pelos tribunais de contas do Estado (TCE) e da União (TCU). A partir daí, os gestores poderão ser responsabilizados.

Uma prova de como o problema está sendo empurrado com a barriga pelas prefeituras é que 33 delas não possuem o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP) e outras 24 precisaram recorrer à Justiça para conseguir. Sem isso, há dificuldades para se firmar alguns dos convênios disponibilizados pelo governo federal. Para Fernando Catão, isso tem ocorrido porque os gestores não têm puxado a responsabilidade para si, como ocorre nas empresas.

Na prática, a contribuição previdenciária está sendo debitada dos servidores públicos e os recursos não estão sendo recolhidos para o respectivo instituto de previdência. “Se continuar assim, esses servidores não terão custeadas as suas aposentadorias no futuro”, ressaltou o conselheiro, para quem, o TCE precisa observar a questão com outros olhos. Catão lembra ainda que alguns gestores não atualizaram o cálculo atuarial, fazendo com que o arrecadado não seja suficiente para custear as aposentadorias.

O conselheiro revelou também que o governo do Estado também criou seu regime de previdência em 2013, no entanto, os repasses não estão acontecendo de forma adequada, conforme revelam os números do Ministério da Previdência. O passivo previdenciário do Estado já chega a R$ 12 milhões em pouco mais de um ano de operação. O relatório com a questão nos municípios e no Estado foi encaminhado para o presidente do TCE, Arthur Cunha Lima, que definirá a ação do tribunal.

PROCESSOS

Na sessão de ontem, Catão observou que estão tramitando no Tribunal de Contas do Estado 380 processos referentes aos institutos de previdência. Destes, 37 são referentes à década passada e 343 relativos ao período de 2010 a 2015. Ele revelou que, em muitos casos, os municípios negociam com a Previdência Social parcelamentos e deixam de cumprir as obrigações, passando o problema para a gestão seguinte.

A sessão do Tribunal Pleno foi conduzida pelo vice-presidente André Carlo Torres, em decorrência da ausência justificada do presidente Arthur Cunha Lima. O presidente em exercício explicou que o fato será levado ao presidente, que em reunião do Conselho, decidirá sobre como será feito um maior acompanhamento da gestão das previdências, visando a regularização dos passivos. O presidente do Instituto de Previdência de João Pessoa, Pedro Coutinho, não foi localizado para comentar os dados do Tribunal de Contas.

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